'Hoje foi o dia mais difícil da minha vida', diz deputado Marcelo Nilo
14/09
às 04:16

O deputado estadual Marcelo Nilo (PSL) disse nesta quarta-feira (13) ter sido surpreendido com a presença da Polícia Federal e de integrantes do Ministério Público Estadual (MPE), na sua casa, no Horto Florestal, para uma operação de busca e apreensão. "Foi uma violência inominável. Foi uma violência contra um parlamentar de 28 anos de vida pública... É inacreditável que nós parlamentares passemos por situações vexatórias, constrangedoras. Nada na vida vai reparar o que eu passei hoje. Perdi meu pai, perdi minha mãe, meu irmão, mas hoje, se me permitem, é o dia mais difícil da minha vida", definiu o parlamentar, durante pronunciamento na Assembleia Legislativa.

A Operação Opinião também investiga mais duas pessoas: um diretor da Embasa e Genro do deputado, Marcelo Dantas Veiga, e um servidor da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz),  Roberto Pereira Matos, que também é sócio da empresa Bahia Pesquisa e Estatística Ltda (Babesp). 

Segundo ele, o delegado que estava à frente da operação teria informado que a busca era sobre o instituto Bahia, Pesquisa e Estatística (Babesp) e que tinha dois objetivos básicos: confirmar se havia manipulação dos resultados das pesquisas e se o instituto é de propriedade dele.

Em nota, o MPE informou que a Operação Opinião tem o objetivo de cumprir sete mandados de busca e apreensão em endereços de Salvador, dentre os quais na residência do deputado e no seu gabinete na Assembleia Legislativa, no CAB. Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE/BA), com base em representação formulada pela Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE/BA), em procedimento que investiga o crime de falsidade eleitoral, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral, envolvendo também a empresa Bahia Pesquisa e Estatística Ltda – Babesp.  

Quanto a acusação de manipulação, Nilo destacou que, em  2014, o instituto teria sido o único que apontava a vitória do governador Rui Costa. "Os resultados mostraram e mostram que não existia manipulação. Vossas excelências são testemunhas que muitos que contrataram a Babesp tiveram a confirmação no período eleitoral. A Babesp não é de minha propriedade, nunca foi. Portanto, não sou dono. Fui cliente muitas vezes desse instituto", alegou o deputado.

Nilo argumentou ainda que em 28 anos de vida pública nunca houve uma denúncia contra ele, frisando que foram dez anos na presidência da Assembleia Legislativa e durante esse período nem a imprensa nem o Ministério Público denunciaram desvios de recursos públicos atribuídos a ele. "Nada vai pagar, reparar os danos que causaram à minha pessoa, a minha esposa, a duas filhas que estavam presentes e a minha neta Maria que também dormia em minha residência. Tenho respeito e admiração profunda pela Justiça Eleitoral, mas é inacreditável, é inaceitável que o MPE e a PF entre na casa de um ex-presidente desse poder para fazer uma busca e apreensão para provar que a Babesp é nossa"

De acordo com o deputado, um processo semelhante ao que motivou a operação desta quarta-feira corria na justiça comum, na 1ª Região Federal, e teria sido arquivado após um desembargador ter negado a quebra de sigilo telefônico. "A Justiça Federal arquiva e a Justiça Eleitoral faz um constrangimento desses. Outro processo similar corre na PF e, na última segunda, quando eu tomei conhecimento que estavam ouvindo os diretores, os sócios e ex-sócios da Babesp, me prontifiquei, através dos nossos advogados, que eu queria ser ouvido na PF", informou, acrescentando que já havia solicitado uma audiência com o procurador eleitoral, que teria sido agendada para o próximo dia 20.

Por Correio

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