Empresário vendia suplementos clandestinos para academias de Salvador
10/10
às 03:15

O empresário Ricardo Peixoto Silva, 37 anos, preso nesta segunda-feira (9) por suspeita de vender suplementos clandestinos em Feira de Santana, também vendia os produtos para academias em Salvador. Segundo a Polícia Federal, ele fornecia o material para seis unidades na capital. Os nomes das academias ainda não foram divulgados.

Os investigadores chegaram até Ricardo depois de receber uma denúncia de que ele estaria fabricando suplementos de forma irregular.

"Esse tipo de caso não é investigado pela Polícia Federal, mas sempre que recebemos uma denúncia verificamos quem é o denunciado. Quando levantamos as informações sobre Ricardo, descobrimos que ele estava fraudando o sistema financeiro e, por isso, a corregedoria (da PF) determinou que fosse aberta uma investigação", contou um dos policiais.

Segundo a polícia, até 2001 o suspeito se chamava Ricardo Ribeiro Peixoto. Ele era filho bastardo de um empresário, e não foi registrado pelo pai. Em 1994, o empresário morreu e deixou alguns imóveis para ser partilhados entre os herdeiros. Foi quando Ricardo entrou na Justiça e pediu o reconhecimento de paternidade, o que ocorreu em 2001. A partir desse ano, ele passou a ser Ricardo Peixoto Silva.

Os policiais descobriram que, mesmo depois de mudar de nome, Ricardo ainda usava o antigo para contratar empréstimos, e comprar carros e imóveis, que não eram pagos. A polícia estima que ele tenha causado um prejuízo de R$ 6,5 milhões somente à Caixa Econômica Federal, através de empréstimos.

"Ele tinha quatro CPFs e cinco identidades. Além disso, ele usava testas de ferro para comprar imóveis e fazer empréstimos, ou seja, são muitos imóveis. Ainda não contabilizamos tudo", afirmou o investigador.

Substâncias

Segundo a PF, Ricardo estava fabricando os suplementos em uma casa alugada, em Feira de Santana. Além dos insumos comuns nos suplementos, ele manipulava duas substâncias proibidas por lei: cafeína e glutamina. O empresário não tem autorização da Vigilância Sanitária e Ambiental (Divisa) para usar as substâncias.

A investigação começou há três meses e, até o momento, a polícia apreendeu mais de cinco toneladas de suplementos, três veículos, uma lancha e três imóveis na Operação Hedonikos. No total, três pessoas foram identificadas como testas de ferro. Elas sabiam do esquema fraudulento e emprestavam os nomes para ser usados nos golpes.

A avó de Ricardo também está sendo investigada, mas, segundo a polícia, seu nome pode ter sido usado sem autorização. Os investigados irão responder pelos crimes de estelionato, fabricação clandestina de produtos equiparados a medicamentos, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa. Ricardo está em prisão preventiva na Superietendência da Polícia Federal, em Salvador. Nesta terça (10) ele será levado para Feira de Santana para passar por uma audiência de custódia.

Por Correio

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